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domingo, novembro 20, 2011

"Nos tempos em que eu cantava" - ALFREDO MARCENEIRO

Presentemente, anda por aí tanta gente a assassinar o Fado, que cada vez mais me apetece apenas ouvir os antigos...

E tantos que renegaram o Fado, tantos que o apoucavam e a quem dele gostava, agora são os maiores, agora todos sempre amaram a Canção Nacional e sabem tudo... Nesse tempo, em que o cachet não era o mais importante, os fadistas reuniam-se e cantavam por gosto; nem interessava a quem dele agora faz filão dourado...; sim, agora que o Fado dá fama e proveito, todos são fadistas...

Parabéns!, mas não deixem de consultar a Fadoteca; pode ser que por lá descubram coisas muito interessantes!...

Entretanto, fiquem-se com este fantástico "Nos tempos em que eu cantava", de Fernando Teles e de António Rosa Sapateiro, na interpretação maior do nosso Alfredo Marceneiro.


domingo, outubro 01, 2006

ALFREDO MARCENEIRO (1891 - 1982)


Nascido em Lisboa, na freguesia de Stª Isabel, Alfredo Duarte estreia-se como fadista com cerca de 20 anos (1911), num "cabaret" sito no 14 do Largo do Rato. Começa a ser conhecido pelo Alfredo "Lulu" em virtude de andar sempre muito bem vestido, muito janota. Mais tarde o fadista, que é marceneiro de ofício, vem então a ter nome Alfredo Marceneiro, nome com o qual fica imortalizado no fado, como cantador e como compositor. São de Marceneiro o Fado Margarida, o Fado Cravo, o Fado Balada, o Fado Pagem, a Marcha de A. Marceneiro, entre outros, e o Fado Cuf em que cantava, com versos do poeta Armando Neves, o fado "O Marceneiro"

Com lídima expressão e voz sentida
Hei-de cumprir no Mundo a minha sorte
Alfredo Marceneiro toda a vida
Para cantar o fado até à morte.
... ... ...
A produção discográfica de Alfredo Marceneiro não é muito grande; consta que gostava pouco de gravar; a sua actividade cingiu-se praticamente às casas de fado em Lisboa; fez uma "incursão" no cinema, em 1940, tendo participado, bem como Berta Cardoso, no filme de António Lopes Ribeiro "Feitiço do Império".
O ofício de marceneiro, que exerceu até 1943, conjuntamente à actividade fadista, ficará para sempre testemunhado, não só no nome, mas também n' "A casa da Mariquinhas", obra que construiu em madeira e que ilustra o fado com o mesmo nome, com letra de Silva Tavares; em exposição no Museu do Fado.
Criado pela sua bisneta Susana Duarte, em Outubro de 2001, é de consulta obrigatória, para quem queira saber mais acerca do artista, o site http://www.alfredomarceneiro.com/ ; complementarmente, em suporte papel, a fotobiografia, assinada pelo seu neto Vitor Duarte, "Recordar Alfredo Marceneiro"Posted by Picasa