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sábado, maio 18, 2013

MAX - "Tempos de Outrora"

D.L.1928

Ainda acerca de Quinta-feira da Ascensão, uma tradição que quase se perdeu, mas motivo ainda, como vimos e ouvimos no verbete anterior, para um belíssimo fado, superiormente interpretado por João Chora. Um outro fado, bem mais antigo, que quero lembrar aqui, versa o mesmo tema; tem por título "Tempos de outrora", foi do repertório de Berta Cardoso e a letra é de Fernando Teles; formalmente, consiste numa quadra glosada em quatro décimas, cada uma das quais rematada, sucessivamente, com um dos versos da quadra inicial, sendo a medida do verso o heptassílabo ou verso de redondilha maior, modelo formal então predominante e bem ao gosto da época.


Deste fado, que fazia parte do repertório de Berta Cardoso quando, em 1938, actuava no Retiro da Severa, creio não existir qualquer gravação sua, nem sequer alguma vez a ouvi cantá-lo em público; pertencia já a um repertório muito antigo, pouco ao gosto do público de então, mais habituado ao fado canção e a um fado com letras mais breves, com muito menos estrofes... Talvez por isso, aquando da festa de homenagem a Alfredo Marceneiro, em 1963, Max apenas terá cantado a 1ª das 4 estrofes que compõe o poema; inexplicável continua, porém, sendo, para mim, o motivo pelo qual terá alterado a quadra que dá o mote ?...  Seja qual for o motivo, é de tal excelência esta interpretação, que o próprio Fernandes Teles lhe terá, por certo, perdoado a substituição...

 


D.L.1946

segunda-feira, abril 29, 2013

MARIA JOSÉ RAMOS - "Mea culpa"

Plat.1969

G.P.1945

G.P.1936

Este fado - Minha Culpa, a que originalmente Gabriel Cardoso deu o mesmo título, mas em latim - "Mea culpa", foi do repertório de Berta Cardoso, como acima se constata; creio que, à semelhança de tantos outros, também não terá gravado este fado,  sendo embora do seu repertório, mas, felizmente, outros fadistas o interpretaram e gravaram posteriormente, entre os quais a Mª José Ramos que durante algum tempo integrou o elenco da "Viela", à frente do qual esteve, durante mais de 20 anos, essa grande actriz-cantadeira, uma das catedráticas do fado - Berta Cardoso. Também O Manuel de Almeida gravou este fado, segundo afirma o Rodrigo, mas não tenho essa versão; por isso, aqui fica, no estilo de cada um destes dois fadistas do meu tempo, a lembrança desse fado que eu tive a sorte de ainda ouvir na inigualável interpretação da dramática Berta Cardoso. 




Um vídeo do 4FADOLISBON

sábado, abril 06, 2013

OS 3 DE PORTUGAL - "Saudades Novas"



Venho hoje lembrar mais um grupo, "Os 3 de Portugal", interpretando "Saudades Novas", uma rapsódia de fados, arranjo de Berta Cardoso, que originalmente se intitulava "Saudades antigas e novas". 
Dos três elementos do grupo, apenas tenho notícia de que ainda se encontra entre nós o Pedro Machado, a residir na Casa do Artista. Para ele, votos de saúde e vida e esta pequena homenagem. 


quinta-feira, outubro 11, 2012

ALBERTO BRAVO, desiludido...

Plat.

Desiludido se confessa o fadista Alberto Bravo, que iniciou a sua carreira profissional no "Bairro Alto" (de Júlio de Sousa, artista multifacetado, autor e criador do "Saudade, vai-te embora..."), desiludido porque, como refere, "a vida artística é só para meia dúzia deles" e "ninguém dá a mão aos novos"... Lá teria as suas razões!... 
Menos razão assiste a quem informa ser Berta Cardoso natural do Barreiro, como o era Alberto Bravo. De facto, Berta Cardoso tinha família no Barreiro, onde ainda reside uma sobrinha e uma sobrinha-neta, mas ela era natural de Lisboa, onde nasceu no nº 10 da Rua da Condessa (ao Carmo). 

quinta-feira, março 15, 2012

"Sou tua" - FLORA PEREIRA


Plat.1963

Conflito? Não creio!...
Mas prova, de algum modo, o quão importante era, para os Fadistas, o Repertório de cada um. Vivemos hoje outros tempos e, à semelhança de tantas outras coisas, também o Repertório se liberalizou...
Seja como for, este fado "Sou tua" passou a constar como sendo do repertório da Flora Pereira, tal como o "Cigano", do repertório da Berta Cardoso, que também nunca o gravou, passa muitas vezes como sendo do repertório da Ada de Castro. Claro que ninguém se importava que alguém cantasse um fado seu; gravá-lo é que já era outra conversa, porque, nesse tempo, as letras, que constituíam o repertório, custavam dinheiro...


Alguma razão teria a Alice Maria mas, cá por mim, ainda bem que a Flora gravou esse fado... não acham?




terça-feira, fevereiro 14, 2012

Bodas de ouro

Plat.

No Fado,a letra é fundamental; Linhares Barbosa, o "Príncipe dos Poetas", que foi um dos mais talentosos poetas de Fado, brindou os seus amigos, nessa noite, na "Viela", dizendo as "Janelas do rés-do-chão" que aqui lembro na interpretação de Flora Silva.

"Conheço-os bem, ele e ela / Trato-os por tu, sei quem são, / Namoram numa janela / Dum modesto rés-do-chão / O parapeito é baixinho / Tão baixo que dá ensejos / Ao ouvir-se um burburinho / Duma corrida de beijos

Mas se no céu, lá em cima / Surgem da lua as feições / Um parzinho que se estima / Arranja mais uma rima / Uma rima de ilusões

Não há no mundo, talvez / Mais alegre comunhão / Que o namoro português/ Nascido no rés-do-chão

Por esta Lisboa fora / Venham de noite comigo / P'ra ver como se namora / Na moldura dum postigo / Quando as sombras põem negras asas / E as ruas são escuras / A luz que há dentro das casas / É que dá cor às molduras

As janelas são vitrais / Cortinas, rendas de espuma, /As vidraças são cristais / As bocas juntam-se mais / E as duas vidas são uma

Não há no mundo, talvez / Mais alegre comunhão / Que o namoro português / Nascido no rés-do-chão"

segunda-feira, julho 11, 2011

ISAURA GONÇALVES - "Nostalgia do Fado"



Isaura Gonçalves, que em 1954 era já uma "promessa" no Fado, faz-se ouvir na "Parreirinha de Alfama", de cujo elenco faziam então parte a consagrada Berta Cardoso e o notável Júlio Vieitas. Aqui a lembro hoje, interpretando esta belíssima "Nostalgia do Fado", de António Mestre e de José M. Rodrigues, acompanhada à guitarra por A. Chainho e Fernando de Freitas e, à viola, por J. Mª Nóbrega e Raul Silva.

quarta-feira, outubro 21, 2009

BERTA CARDOSO - 21.OUT.1911



Para lembrar Berta Cardoso no dia em que faria 98 anos, ofereço, a todos os que costumam passar por aqui, este inédito de João Linhares Barbosa, assinado e datado de 21.10.1952 e escrito "na hora", por certo, saudando a aniversariante e aproveitando as palavras de felicitações do "Sr. Doutor"... Era um inspirado poeta e repentista, este Linhares Barbosa! Deve ter sido bem divertida a comemoração do aniversário, na Parreirinha, onde na altura Berta Cardoso se encontrava a actuar...
Para saber mais acerca desta fadista, pode consultar http://www.bertacardoso.com/

terça-feira, outubro 13, 2009

BERTA CARDOSO na Eradogramophone









O Canal de eradogramophone brindou-nos agora com este belíssimo vídeo de dois êxitos de BERTA CARDOSO - "A Enganada", da autoria de Silva Tavares e de Armando Freire e "Último Pedido" ou "Volta", como ficou mais conhecido, de Raul Pinto e de Frederico de Brito, ambos registos fonográficos em 78rpm.


Em 1933, Berta Cardoso é primeira página d' "A Guitarra de Portugal", onde se anuncia uma tournée da gloriosa cantadeira por terras de África e se publica, precisamente, a letra do fado "Volta" e de outro seu enorme êxito "Não Voltes"


sexta-feira, maio 29, 2009

BERTA CARDOSO - "Testamento"

Em 2006, no Museu do Fado, esteve patente uma exposição sobre BERTA CARDOSO, uma das mais importantes personalidades da História do Fado do séc. XX.

A exposição foi um sucesso, tendo sido primorosamente organizada, como pode constatar-se pelas fotos que integram o vídeo.

Não será demais agradecer, ainda uma vez, a dedicação e empenho de todos que colaboraram neste projecto, nomeadamente à responsável pelo Museu do Fado. Bem Haja!

O fado - "Testamento", que Berta Cardoso interpreta, é da autoria de João Redondo.

sábado, agosto 12, 2006

BERTA CARDOSO (1911-1997)










Berta Cardoso é a fadista de referência da "época de ouro" do fado, a cantadeira que "chegou, cantou e venceu" e que foi desde logo considerada a "loucura dos fadistas". Canta pela primeira vez, em público, no Salão Artístico de Fados, acompanhada por Armandinho; o sucesso é tal que é de imediato convidada para integrar o elenco da casa, o que não vem a concretizar-se em virtude de ter apenas 16 anos. Vai, no entanto, a Espanha gravar o seu primeiro disco e em 1930 é notícia de primeira página da Guitarra de Portugal, de 30 de Outubro. Ali se refere que Berta Cardoso é "um nome consagrado", é "uma vocação que se revelou expontânea e claramente desde a sua estreia". Dotada de um estilo e de uma capacidade interpretativa singulares, Berta Cardoso tinha uma dicção irrepreensível e uma voz privilegiada, tendo ficado conhecida como "A voz de oiro do fado". A sua ascensão artística é meteórica, passando, de imediato, do anonimato a primeira figura da canção nacional.
Durante as décadas de 30, 40 e 50, tem uma notável carreira que divide entre os palcos das casa de fado e dos teatros de revista, a nível nacional e internacional; a partir da década de 60, opta por actuações mais intimistas, confinando-se quase exclusivamente às casas de fado.
Durante a sua longa carreira, Berta Cardoso criou inúmeros êxitos, tendo gravado para várias editoras discográficas, entre elas a Valentim de Carvalho, a Odeon, a Columbia, a Capitol, a Imavox... Sempre com edições esgotadas, restam alguns 78RPM e vinil, nas mãos de particulares/ coleccionadores. No mercado habitual, apenas na loja do Museu do Fado e na Discoteca Amália , se pode adquirir o CD cuja capa acima se exibe, da etiqueta Estoril, e que reproduz seis dos seus maiores êxitos: Fado Antigo, Fado Faia, Chinela, Meu Lar, Cinta Vermelha e Cruz de Guerra, sendo a letra, dos 5 primeiros fados, da autoria de João Linhares Barbosa e a letra do 6º fado, de Armando Neves.
Existe ainda, no circuito comercial, um outro CD, editado pela Movieplay Portuguesa, o nº 20 da colecção Fados do Fado, com 4 fados de Berta Cardoso: Cruz de Guerra, de Armando Neves, Meu amor fugiu do ninho e Noite de São João, ambos de J. Linhares Barbosa e Testamento, de João Redondo.
Acerca desta figura emblemática do Fado, que é Berta Cardoso, encontra-se patente uma exposição, no Museu do Fado (Largo do Chafariz de Dentro, nº 1, a Alfama), até 22 de Outubro.
Pode também visitar o sítio http://www.bertacardoso.com/