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sexta-feira, janeiro 01, 2021

CARLOS DO CARMO



Sob o título "Meia Hora de Ouro", em 07/12/2011, editei o verbete que segue e que hoje reedito, com o mesmo respeito, consideração e admiração que tinha, tenho e terei por Carlos do Carmo, que hoje faleceu. É claro que, ao lerem este e outros escritos meus acerca desta personagem maior do Fado, muitos terão pensado que eu estaria entre os seus (poucos, creio) detractores, o que, não parecendo, não corresponde, de facto, à verdade.  A sê-lo, não estaria agora aqui a dedicar-lhe este verbete, homenageando-o, no dia em que partiu, tão importante na Vida como o dia em que nasceu, 21 de Dezembro de 1939 
E, Carlos do Carmo nasceu, digamos assim, no Fado, filho da cantadeira Lucília do Carmo e do empresário Alfredo de Almeida que em 1946 abriram uma "casa típica" de fados, a "Adega da Lucília" que, mais tarde, após a morte do pai, Carlos do Carmo rebaptisaria como "O Faia", ficando à frente dos destinos da mesma. Foi aí que terá começado a sua carreira artística, como fadista, embora, de início, tenha considerado isso como uma impossibilidade tão impossível que apenas se tornou possível porque era o seu Fado!... E ainda bem que Carlos do Carmo se rendeu e cumpriu o seu destino. Ninguém poderá dizer que, mesmo o que possa ter feito menos bem, não o terá feito para engrandecer também o seu país. 
Um dos fados que seleccionei para o homenagear tem por título "As três normas", uma letra do grande Carlos Conde, que CdC interpreta na música do Fado da Azenha, de Frederico de Brito, de cujo vídeo aqui deixo o link . E escolhi este fado, de entre tantos que o CdC cantou, por entender que não só o interpretou muito bem como muito bem o cumpriu. No meio do Fado, CdC não era um qualquer, nem sequer mais um. Poderia não se gostar dele, mas não se poderá negar que Carlos do Carmo era um senhor, um diplomado e um diplomata! Porém, creio que entenderão que nada do que aqui fica dito belisca sequer, antes pelo contrário!, o que então afirmei no

     "Meia Hora de Ouro"
Segundo o Hardmusica nos narra, o Fado apresenta-se hoje no Parlamento, corporizado nesse vulto já quase lendário que todos os portugueses bem conhecem - o filho de Lucília do Carmo, um homem culto, inteligente e muito bem relacionado que imenso tem feito em prol da sua causa fadista. Hoje, a rematar em penalty, o bota, digo, boca d'ouro apresenta-se aos parlamentares, após a hora de serviço, como convém, para lhes cantar meia hora de fados que, dado o título, nos vão ficar ao preço do dourado metal! Esperemos que, no mínimo, transmitam o sempre interessante cerimonial de exibição povonada, digo, pavonada...
Apetece-me dizer: O FADO NÃO É POBREZINHO, MAS TAMBÉM NÃO É ISTO!
Não, não tem nada a ver, a não ser com uma louca e desmedida necessidade de protagonismo em que quase todos têm embarcado, como embarcaram em tantas outras que são hoje a nossa ruína...
O reconhecimento do Fado pela Unesco vai, certamente, servir a alguns que já esperam mais esse filão d'ouro, agora que a mama da Europa está quase seca..., mas não é coisa que sirva o Fado ou de que o Fado necessite para ser o que genuinamente é. De resto, parece-me de uma enorme hipocrisia virem com a conversa de que "esta distinção premeia, em primeiro linha, os fadistas, os músicos, os poetas, os compositores, que fizeram e fazem, ao longo das gerações, a riqueza deste género específico da nossa cultura popular", quando, em boa verdade, os nomes fadistas em destaque são sempre os mesmos e quando não houve sequer o cuidado de, na colecção de selos , fazer representar um dos grandes nomes de um compositor, de um letrista ou de um instrumentista; nem sequer a Severa, esse "mito fundador" do fado, lá teve assento!..., mas teve-o o senhor que é agora, pasme-se, "o grande embaixador da música portuguesa além-fronteiras"!... Se me permitem, será um dos grandes embaixadores, não "o" grande embaixador... De resto, ao longo dos tempos tem havido, por todo o mundo, outros excelentes divulgadores do Fado, tendo, por certo, de entre eles, especial relevância os emigrantes.
Em suma, neste país, onde já quase tudo se permite e impera como que uma "galopada golpista", canta-se o Fado na Assembleia, quiçá para premiar o atónito pavão, perdão, povão espoliado à revelia de leis que ali se vão fazendo aprovar... E é precisamente um fadista conotado com os que desaprovariam este estado de coisas que vai "dar fado" a todos nós...
Ora digam lá se não é precisamente a cereja no topo do golo, digo, bolo!...


quinta-feira, janeiro 17, 2013

MERCEDES BLASCO




D.L.

Mercedes Blasco, actriz, a quem já me referi aqui e aqui, "uma figura do Chiado", "uma mulher muito avançada para o seu tempo", uma estrela desconhecida, por uns, esquecida, por outros, que levou o fado a todos os cantos da Europa...

quinta-feira, janeiro 05, 2012

sábado, outubro 08, 2011

Emissão filatélica "O FADO"


Ainda acerca desta emissão filatélica que será apresentada no Museu do Fado no próximo dia 12 do corrente, encontrei aqui a informação mais completa, com acesso ao respectivo Edital, onde se poderá ler um breve texto "explicativo", subscrito por Sara Pereira.

É claro que todos nós, mais ou menos ligados à causa fadista, nos interrogamos acerca da escolha destas individualidades e não doutras, tão ou mais representativas do Fado, e que tantas foram!, logo a começar pela Severa, mito fundador do universo fadista... Todos nós, creio eu, gostaríamos de saber os critérios que presidiram a esta escolha, ou, como é costume, ficar-nos-emos pela aceitação de decisões a que a parcialidade e o compadrio não são, por vezes, estranhas?!...

Por certo que, aquando do lançamento da colecção, à responsável do Museu do Fado, que terá ouvido, para a decisão tomada, os seus conselheiros, nos quais se incluem, creio eu, os fadistas Carlos do Carmo e Vicente da Câmara, será fácil explicar as razões desta escolha e o fará com todo o gosto e fervor democrático... Provavelmente dir-nos-á também porque se optou por não se fazer representar, nesta colecção, outros gigantes do Fado que, assim, continuam a ficar escondidos por detrás das figuras de quem lhes dá voz; refiro-me, obviamente aos autores de letras e músicas absolutamente magistrais, sem as quais, hélas, nem seria possível brilharem no céu as outras estrelas que a colecção premeia. E dir-nos-á ainda a razão de se ter igualmente ignorado aqueles que dão ao fado outra voz, a da guitarra e a da viola...

Ou não?!... Aguardemos!

sábado, julho 16, 2011

sábado, julho 09, 2011

O encanto misterioso de Al-fama e da Moura-ria


Ilust.
Dois bairros marcados pela Arte mourisca que perdura no Fado, na guitarra, na navalha e mesmo no tipo do Fadista tradicional...

segunda-feira, junho 13, 2011

Eduardo Dôres - o sapateiro fadista



Ilust. 1930 (do filme "Lisboa", de Leitão de Barros)


Muitos outros fadistas houve que, de profissão, tinham esta arte; dum, particularmente, me lembro agora, Rei no Fado - Fernando Maurício, "O Rei sem coroa" como o intitulou Diogo Varela Silva no documentário que fez acerca da vida e obra desse enorme quão genuíno fadista.

quarta-feira, maio 25, 2011

"O Fado e as Toiradas em Portugal"





É esse o título dum curioso livro, editado em Portugal nos anos 60 (1968-1969?), com texto em português, francês, inglês e espanhol, da autoria de A. Martins Rodrigues e colaboradores, particularmente destinado "aos portugueses espalhados pelo mundo" que "não podem saber que as virtudes da raça se mantém ainda na religiosidade com que escuta o fado ou na intrepidez com que a juventude enfrenta toiros - os toiros que só se criam sob o sol bendito da Península".

Está claro que foi, entre outros, um documento da Propaganda, dirigido aos estrangeiros, tentando captar turistas aos quais se pretendia vender um país quente e luminoso com tradições únicas e inusitadas, que mantinham a sua genuinidade, embora fossem quase tão antigas como o mundo...

Pese embora o caracter comercial da obra e algumas imprecisões que contém, mais me parece importante sublinhar o mérito que a obra então terá tido de lembrar, a uns e dar a conhecer, a outros, algumas das muitas riquezas culturais que Portugal tinha para oferecer aos estrangeiros de fora e de dentro... Muito ilustrado (embora maioritariamente a preto e branco) como convém ao género, é de agradável consulta. Para além do Fado e da Tourada, não foram esquecidos, os Monumentos, Paisagens, o Folclore, o Artesanato e os Vinhos do Porto.

Aqui vos deixo as páginas que se referem à "Parreirinha de Alfama", sob a gerência de Argentina Santos, que sempre primou por ter um elenco de luxo, casa já então muito frequentada por estrangeiros, onde se comia e fadistava muito bem até de madrugada...

Ora escutem

Maria da Fé canta o "Fado de Alfama", uma letra de Torcato da Luz no Fado Nuno






Seguidamente, Natalino Duarte com "Maldição", de Fernando Farinha e H. Lourenço





Natércia da Conceição
e "É noite na Mouraria", de António Mestre e de José M. Rodrigues




"Ontem e hoje" é o fado, da autoria de Raul Dias e José Inácio, que Francisco Martinho interpreta




Agora, a pedido de várias famílias, Lina Mª Alves faz-se ouvir no seu conhecido "A mim jurou-me também", com letra do dono da casa, o Alberto Rodrigues, música de A. dos Santos





A fechar o programa, Argentina Santos brinda-nos com "A grandeza do Fado", de Clemente Pereira e Jaime Santos

sexta-feira, abril 01, 2011

segunda-feira, junho 09, 2008

GUITARRA-MOCHILA


Uma interessante criação de Rita Ruivo.
Quem sabe se esta mochila não vai ser adoptada pelos fadistas?!...

terça-feira, novembro 28, 2006

LIMALHA


cOLECÇÃO fADO NO mUSEU DO fADO
"A perpétua roxa é uma flor utilizada na elaboração do chá das fadistas, para dar brilho e claridade à voz".
Interessante...
Mais informação no blog da Liliana http://limalha.blogspot.com/

quinta-feira, novembro 23, 2006

FADÓ - FADO



FADÓ é nome de joalharia Irlandesa, com sítio na Net www.fadojewelry.com, onde se explica que a palavra fadó significa "há muito tempo" em Gaélico.

Costumamos nós dizer que a nossa palavra fado tem origem no étimo latino fatum que significa "destino".

Atendendo à nossa origem Celta, que o destinomuito tempo entendeu cruzar com os colonos romanos, será que não existe também algum cruzamento a nível da palavra?...

Vá lá, Senhores Filólogos, vejam bem isso!...