"Nascido a 23 de Maio de 1932, Manuel Dias despontou para a vida artística no antigo Café Salvaterra, num concurso de fados organizado pela antiga Cervejaria Luso, e de que saiu vencedor. Desde então até agora tem trabalhado em quase todas as Casas Típicas e «Boites», tanto em Lisboa como no Porto, e conhece o nosso País de lés a lés.
Criador do célebre fado «Amor de Pai», é sem dúvida um dos mais castiços fadistas.
..."
VÍDEO DE HOMENAGEM
Mais uma voz inconfundível, a de Manuel Dias, que lembro com este fado de Frederico de Brito e de Armandinho, acompanhado por Álvaro Martins (guitarra) e José Mª de Carvalho (viola).
Acompanhado à guitarra por Jorge Fontes e à viola por José Mª Nóbrega, Filipe Duarte interpreta, de João Linhares Barbosa, no Fado Meia Noite, "Palco desmantelado"
"...
De noite, ninguém se afoite / Andar ali à vontade / Porque nas sombras da noite / Passa um fantasma - a saudade"
Nascido em 28 de Outubro de 1934, no Bairro da Ajuda, em Lisboa, Filipe Duarte entrou no meio do fado pela mão do grande Linhares Barbosa, que o apresentou a Lucília do Carmo, que gostou de o ouvir e o convidou para ficar a cantar no seu restaurante típico "O Faia", isto nos finais dos anos cinquenta. Depois, a convite de Argentina Santos, integrou o elenco da "Parreirinha", onde esteve durante vários anos, e daí, atendendo a várias solicitações, trabalhou durante os anos seguintes em grande parte das casas de fado de Lisboa, mas também no Porto, tendo efectuado várias digressões ao estrangeiro, onde, para além de espectáculos pontuais, trabalhou temporadas em restaurantes ("O Fado", em Madrid, "O Solar dos Fadistas", em Angola, "Restaurante Abril em Portugal", em S. Paulo) e no Casino de Macau; também as tournées se foram sucedendo, à Roménia, Estados Unidos, Canadá, Tunísia..., tendo actuado em vários programas de Televisão, não só em Portugal, mas também em França, Brasil, Estados Unidos e Canadá.
No bairro em que nasceu, abriu, em 1989, a sua própria casa de fados, o "Solar do Fado" que manteve a funcionar até 2001.
Fadista que já é da "velha guarda", em 2011 integrou o espectáculo Proscritos.
Presentemente, essa alma fadista, que uma voz singular tão bem veste, continua a dar fado nas noites de Lisboa, para gáudio de todos os que amam o Fado.
O 4FadoLisbon encontrou Filipe Duarte no Restaurante Bar "Nini" (à Rua D. Francisco Manuel de Melo, nº 36-A, em Lisboa, com fado "vadio" às 5ªs) e registou-o assim, para memória futura
De Lisboa a Coimbra, o Fado; de xaile e lenço ou de capa e batina, o Fado - o cantar português; nem sempre triste, mas sempre com sentimento; o pulsar do coração nas cordas de uma guitarra...
Morreu ontem um dos expoentes máximos do Fado de Coimbra, Luís Goes. Em sua homenagem, aqui o lembro interpretando o "Fado do Estudante" (Vicente Arnoso / Fernando Machado Soares), cuja primeira quadra, de que gosto particularmente, diz assim: "Fecha os olhos de mansinho / Não os abras para ver / Que a vida, de olhos fechados / Custa menos a viver"
Parece-me preciosa a informação que encontrei No Bairro do Vinil acerca deste esquecido fadista.
Deixo-vos com esta interpretação muito curiosa do Adeus Mouraria, de Artur Ribeiro, um fado de Lisboa a soar a Coimbra, por Germano Rocha
O fado-balada "Recordando" tem letra e música de A. Veloso R. Camelo e de António dos Santos, que também o interpreta.
A propósito, há por aí quem entenda que chamar "letra" às palavras de um fado é, de algum modo, menorizar um texto que antes devia chamar-se poesia... Pois eu penso absolutamente o contrário - chamar "letra" às palavras de um fado é simplesmente marcar a diferença entre um e outro texto, cujas técnica e finalidade são, por certo, diferentes... Não é este o momento, nem o sítio para me alongar mais sobre o assunto; apenas queria dizer que, em minha opinião, há no Fado imensas letras extraordinárias, que muitos poetas gostariam mesmo de assinar por baixo, e que devem continuar a ser assim designadas, quanto mais não seja para marcar essa diferença essencial entre os textos poéticos... Em suma, há a poesia, a prosa poética e a letra, que é aquele texto que se escreve para Fado, a isso adequado na sua forma e conteúdo, um modo de escrever e sentir tão português como o Fado, inacessível até a muitos poetas... Por isso, também gosto de dizer "letristas", que é uma forma tão maior, tão mais próxima e genuína de cantar a vida, o dia-a-dia, de celebrar com palavras simples a complexidade dos sentimentos... A letra deste fado-balada é bem o exemplo disso... tão simples, não é? Tentem escrever assim e verão... Talvez pela dificuldade, nunca houve muitos poetas a escrever para Fado; lembro, por exemplo, o David Mourão-Ferreira, além do mais um académico, apenas para vos desafiar a tentarem estabelecer duas (im)possíveis comparações- entre as suas poesias e as suas letras e entre as suas letras e as de João Linhares Barbosa; aí têm no que difere um poeta dum letrista! É que, letristas, apenas portugueses e no Fado. Por isso, deixem que se continue a chamar letra às palavras do fado e letrista a quem as escreve e tenham orgulho nisso, de sermos únicos e tão bons!
Pena é que tenhamos agora tanta falta de letristas e tantos poetas a escrever para fado umas coisas que ninguém percebe porque não dizem seja o que for; nem são letras, nem são poemas, escritos por quem nem sabe ser letrista nem poeta... umas "coisas" que ninguém mais lembra, que nem chegam a entrar no ouvido que, como órgão muito sábio que é, nem sequer as deixa entrar... Por alguma razão andam os fadistas de agora agarrados a repertórios antigos, cantados, recantados, mas sempre a agradar. Essa é que é essa!...
António dos Santos Caio Castanheira, que adoptou o nome artístico de António dos Santos, nasceu no Hospital de São José, freguesia do Socorro, a 14 de Março de 1919. ... (daqui)
Eurico Pavia, natural de Cabeço de Vide - Fronteira, canta o fado desde 1971, tendo actuado em diversas Casas de Fado em Portugal, nomeadamente na "Adega Machado" e na "Adega Mesquita", mas também no estrangeiro - Brasil, Nova Iorque, Dallas, Texas, Bélgica e Holanda; é ainda de assinalar a sua presença, durante uma semana, no certame da Expo 98 e a sua participação em alguns programas televisivos.
Presentemente, continua a deixar-se ouvir em alguns sítios de fado e, hoje, é aqui lembrado com um fado da autoria de Castro Infante e de Jorge Fontes - "Meu Fado eterno".
Com o fado "A Roda da Vida" lembro e homenageio a fadista Emília Reis, que o interpreta e reparte a autoria do mesmo com Manuel Guiomar. A fadista pertenceu, durante algum tempo, ao elenco do "Timpanas" e, salvo erro, foi a criadora do "Ovelha Negra".
Com um currículo muito interessante, Dário de Barros, a quem chamaram "o actor do fado", é, porém, pouco ou nada lembrado entre nós...
Aqui fica este vídeo de lembrança e homenagem a mais um famoso "desquecido"
De Frederico de Brito e Lopes Teixeira, Dário interpreta "Deixa que eu cante o meu fado"