terça-feira, maio 10, 2011

PACO BANDEIRA - Sei e não sei



Por falar em Procissão...

"Olha à tua volta, com atenção, e o que é que vês, o que é que vai na Procissão?..."
Se quer saber a resposta, oiça o Paco, com atenção e, se gostar, pode ouvir mais no CanalCantiga, do Paco, no YouTube.
Parabéns!

sábado, abril 30, 2011

JOSÉ FREIRE - "Os Feiticeiros"



José Freire interpreta, no Mouraria, uma letra de Luís Durão



Homenagem a Luís Durão
Homem probo, amigo leal
Luís Durão pertenceu a um grupo mítico de fado lisboeta,
chamado “Os Feiticeiros”
, onde pontuavam João Ferreira Rosa,
João Braga, Ana Rosmaninho e muitos outros. Esses amigos,
trouxe-os ele ao Sardoal, várias vezes, para actuarem nas Festas
de Setembro do início dos anos 70 do século passado. Faleceu em
7 de Novembro último e a sua homenagem póstuma é aqui feita
por Nuno Roldão…
Conheci o Luís na infância, quando ele e os pais
vieram residir no Sardoal na Quinta de S. Bruno (vulgo
Quinta do Carapuço). Foi porém na juventude que a
nossa amizade se fortificou, sobretudo através do Álvaro
Bandeira. Tenho na memória “patuscadas” várias, quer
na quinta, quer noutros locais do Sardoal, feitas com
a rapaziada daquele tempo. Com ele travei conversas
múltiplas, próprias da juventude e da nossa imaturidade.
Com o seu vozeirão tonitruante, bem cedo revelou
ser pessoa muito directa, muito pão-pão, queijo-queijo,
o que nem sempre era bem entendido por terceiros, sobretudo
os adultos. Rosto sempre fechado, um pouco
truculento nos diálogos e até nas atitudes, por vezes
exaltado e brusco, mas nunca lhe vi guardar rancores.
Mais tarde, noutras conversas travadas com ele
e com outros do grupo, já em fase de maturidade, bem
entendi que como cidadão ele pensava que as verdades
não constituíam ofensa, ofensas eram as mentiras. Pensava
e agia desse modo frontal. Pessoa sem artifícios
de postura e de linguagem, inconformista, essa atitude
granjeou-lhe incompreensões, inimizades, ostracismos
e muita amargura.
Mas a verdade é que o Luís Durão era um homem
probo, de coração aberto, amigo leal, solidário
com os outros, embora nunca o aparentasse. Sabia ser
cordial, afável e simpático no trato. Era uma personagem
em conflito consigo próprio. Um dia, ali para os lados de
S. Pedro de Alcântara, em pleno PREC, encontrámo-nos
casualmente, numa manifestação política do PS. Ele tinha
construído uma bandeira com um pano vermelho,
aonde colara o símbolo do PS feito em papel. A bandeira
pregou-a a um pau de vassoura. Era como que uma
sua imagem de marca pessoal. Esta peripécia ficou-me
sempre na memória. Cedo porém, como aconteceu
com muitas pessoas esclarecidas, afastou-se das movimentações
político-partidárias e um dia revelou-me
ser um socialista-libertário, muito próximo do pensador
Bakunine, a quem imitava nas barbas na perfeição. Contei
um dia esse “flash” à mãe, D. Lurdes Durão, que me
disse: “O Nuno não ligue, o Luís é um sonhador, e pensa
que pode endireitar o mundo, o que ele queria era ver
toda a gente feliz”.
Talento na música
Pelo seu temperamento era um “revoltado”
contra o “establishement”. Algumas vezes comentou
comigo as desmedidas desigualdades sociais e a impossibilidade
de o cidadão comum ter voz. Era uma
personalidade em dia com o seu tempo, embora contra
o tempo. No Sardoal era conhecido sobremaneira
pelo seu talento inato na música e para as questões
culturais, que sabia avaliar com a sua formação de economista.
Foi um bom fadista amador e um guitarrista
virtuoso. Faz parte de uma geração de fadistas locais,
entre os quais incluo o meu irmão Ismael Roldão,
o Fernando Vale de Rio Grácio e outros do Sardoal e de
Lisboa, que ocasionalmente se lhes juntavam. Lamentavelmente,
nos últimos doze anos, talvez mais, devido
ao agravamento da sua doença, aliada a outras vicissitudes
da vida que não cabem neste texto, tornou-se
esquivo, fugindo das pessoas, criando uma “muralha”
à sua volta, caindo num quase total isolamento, por
certo tormentoso.
Em 7 de Novembro de 2009, chegou a sua
hora e, provavelmente face ao seu amargor, teria sido
para ele uma libertação, um fim para o seu sofrimento.
É mais um amigo dilecto que parte. Aqueles que,
mesmo de longe, nunca deixaram de o estimar, hão-de
lembrá-lo sempre pela sua espontaneidade, postura
sincera e bondade encapotada. Honraremos pois a sua
memória de homem bom. Sabemos todos que a amizade
genuína entre as pessoas não as liberta daqueles
que faleceram, sabemos também que ele “viverá” connosco.
Mais memórias da nossa memória.
Nuno Roldão
(Foto cedida por Ana Durão, através de Ismael Roldão)
in "O Sardoal", nº 61

sexta-feira, abril 01, 2011

segunda-feira, novembro 30, 2009

quarta-feira, novembro 25, 2009

sábado, novembro 14, 2009

ANTÓNIO CALVÁRIO - "Pop Fado"

VÍDEO DE HOMENAGEM

Lembrar António Calvário, uma referência da Canção Nacional, interpretando um original de César de Oliveira e de F. Carvalho, Pop Fado, com uma letra muito interessante que nos fala do novo fado, da época de então e também d'agora, que é democrata, que mudou de estilo, se ligou à arte abstracta, particularmente em concordata com tudo aquilo :) que se deixou da vadiagem, que é todo intelectualizado e quis portanto aprender a linguagem e a mensagem do pop fado, ah! ah! está-se bem, pois é, era :) ... Pop fadista, sem rei nem pop!... Popem lá, qu'é popelar!

Bom week-end!

quarta-feira, novembro 11, 2009

ADELINA FERNANDES - "Fado Anita"




Se alguém já fez tão bem... seria tonto não aproveitar o trabalho já feito.

Assim, com os meus renovados agradecimentos ao EradoGramophone, por mais este documento tão importante para a memória do Fado, que nos permite escutar esta notável actriz e cantadeira, vamos ouvi-la num dos seus êxitos, o "Fado Anita".

terça-feira, novembro 10, 2009

AMÁLIA NO PANTEÃO












Ainda está a tempo de visitar esta exposição "Amália no Mundo - O mundo de Amália"


Peças inéditas de Amália expostas
por JOÃO MOÇO 31 Julho 2009




Está patente no Panteão Nacional até 15 de Novembro a mostra 'Amália no Mundo - O Mundo de Amália', que destaca a carreira internacional da fadista
Ontem ao final da tarde um cantor espanhol cantava Amália no Panteão Nacional. A voz era de Juan Santamaria, acompanhado pelos músicos que durante anos estiveram ao lado da fadista: Joel Pina, Lelo Nogueira e Carlos Gonçalves. Mas antes já muitos tinham passado pela exposição que se inaugurou naquele espaço, Amália no Mundo - O Mundo de Amália. Esta mostra tem como um dos principais objectivos "promover e divulgar" a dimensão da carreira internacional da fadista. Isabel Melo, directora do Panteão, considera mesmo que "os portugueses não têm a noção da verdadeira dimensão que Amália teve no estrangeiro", disse ao DN.
Ao todo nesta exposição, que assinala os dez anos da morte da fadista, estão presentes entre 140 a 150 objectos relacionados com Amália Rodrigues, desde vestidos, sapatos, jóias ou luvas que usou em concertos, bem como programas dos espectáculos que deu no estrangeiro ou até cartazes desses concertos, nomeadamente um relativo a um concerto que ocorreu na Rússia em 1970.
O espólio que constitui a exposição é proveniente da Fundação Amália Rodrigues, do Museu do Teatro e de algumas colecções de privados. Segundo Isabel Melo, estes permitiram que a mostra revelasse "alguns objectos inéditos de Amália", como por exemplo o seu primeiro passaporte, de 1943, "quando ela foi pela primeira vez a Espanha, convidada pela Embaixada de Portugal", sublinhou.
A directora do Panteão Nacional enumerou ainda outros objectos em destaque, como "um quimono, todo bordado a fio de prata, que lhe foi oferecido da primeira vez que foi ao Japão, em 1970" ou "uma mala de viagem", que Isabel Melo julga ter sido a primeira da fadista.
A directora do Panteão Nacional reforça que "todas as peças têm uma história", sendo que a maior dificuldade em organizar esta exposição foi mesmo "seleccionar o que seria mais relevante". Isabel Melo contou que ao organizar esta mostra se deparou "com tanta informação importante" que teve alguma dificuldade no processo de selecção.
Além dos vários objectos pessoais e dos programas de espectáculos, que até 15 de Novembro se encontram no Panteão Nacional, nesta exposição está ainda integrado o documentário The Art of Amalia, de Bruno de Almeida, que conta com vários depoimentos da fadista. A mostra está ainda integrada num percurso "que inclui o Museu da Água e o Museu do Fado, durante o qual as pessoas visitam os três espaços, acompanhadas por um animador e assim ficam a conhecer melhor a história de Amália", referiu Isabel Melo.
No Panteão Nacional haverá ainda um serviço educativo que realizará visitas guiadas e ateliers dedicados às crianças, onde estas podem criar uma banda desenhada, aprendendo sobre quem foi Amália. Isabel Melo referiu que esta é uma das "missões" desta mostra, a de fazer que "Amália Rodrigues permaneça na memória das gerações vindouras".
A exposição estará patente até 15 de Novembro, sendo que para visitá-la apenas se paga "o ingresso de entrada no Panteão, que é de 2,5 euros".

sexta-feira, novembro 06, 2009

AMÉRICO - "À luz da candeia"

VÍDEO DE HOMENAGEM


Esta é a homenagem possível ao meu ciber amigo Américo que, na belíssima Gondarém - Vila Nova de Cerveira, canta o fado "à luz da candeia", nas noites fadistas do Kalunga...

De facto, o fado não é apenas canção de Lisboa, é Canção Nacional, que se canta e ouve onde quer que se encontre uma Alma Lusa!

O fado que escolhi para este vídeo é da autoria de Óscar Martins e é interpretado no Fado das Horas.

Aqui http://kalungablog.wordpress.com/americo-videos/ pode ouvir mais fados na voz e sentir deste fadista a quem daqui saúdo e envio um abraço todo fadista.

sábado, outubro 24, 2009

MARIA PEREIRA - "Fadista sou eu" e "Primeiro amor"



Veja também http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/78471.html


A cançonetista Maria Pereira

Artigos de Opinião 2008-06-11 12:17
“As nossas belas ilhas possuem características diferentes mas, para mim, a ilha Verde tem a inconfundível paisagem das lagoas das Setes Cidades, o famoso Vale das Furnas e as típicas águas quentes, frias e mornas“. Dizia-me em 1969 a consagrada cançonetista Maria Pereira, que actuou por várias vezes nos Açores, assim como na Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Espanha e Bélgica. Maria Pereira, que durante anos actuou na rádio, não foi só uma portuguesa do Fado, como uma voz de Portugal. Que o digam os seus muitos adeptos, e muitos foram, no país ou no estrangeiro, e que certamente ainda têm discos da vasta discoteca que a cantora deixou. Tudo Maria Pereira cantou. Interpretou canções da nossa terra, transmitiu melodias e versos, tendo percorrido todos os caminhos do mundo português, pois em qualquer parte onde se falasse o nosso idioma, Maria Pereira era conhecida. A propósito, recordamos uma inesquecível passagem ocorrida na sua vida artística, na primeira vez que Maria Pereira se deslocou a Moçambique. Cantava no Teatro Moçâmedes e, quando actuava, um senhor de oitenta anos, entrou no palco interrompendo a actuação. Agarrou-se à artista, a chorar, e disse: ”Há trinta anos que saí de Lisboa, e não mais ouvi uma artista cantar”. A cançonetista havia interpretado um fado triste “menor”, fado esse que a mãe do ancião costumava cantar para o adormecer.
Fado canção e castiço Maria Pereira definia assim o fado : “O fado-canção é mais bonito. O fado-castiço é um grito de alma. A canção tem mais arte e outras características”. Maria Pereira, que na altura que a entrevistei já havia gravado mais de seiscentos discos, recordava que um dos seus maiores êxitos na altura havia sido “O meu Primeiro Amor “, que fez parte de um filme em que participara. Do seu vasto reportório fazia parte, entre outros, “Açores dos meus Amores”, que a cançonetista levava nas suas digressões, salientando que, quando cantava essa canção, o público entusiasticamente acompanhava-a. “Maria Pereira, Um Fado e Três Canções” e “Maria Pereira e o seu espectáculo” são dois filmes em que a cançonetista participou. Para aqueles que se lembram de Maria Pereira, deixámos aqui este breve apontamento de recordação. Para os mais novos e não só, reafirmo de novo que foi uma das grandes fadistas portuguesas.
(in http://www.acorianooriental.pt/ )
VÍDEO DE HOMENAGEM

quarta-feira, outubro 21, 2009

BERTA CARDOSO - 21.OUT.1911



Para lembrar Berta Cardoso no dia em que faria 98 anos, ofereço, a todos os que costumam passar por aqui, este inédito de João Linhares Barbosa, assinado e datado de 21.10.1952 e escrito "na hora", por certo, saudando a aniversariante e aproveitando as palavras de felicitações do "Sr. Doutor"... Era um inspirado poeta e repentista, este Linhares Barbosa! Deve ter sido bem divertida a comemoração do aniversário, na Parreirinha, onde na altura Berta Cardoso se encontrava a actuar...
Para saber mais acerca desta fadista, pode consultar http://www.bertacardoso.com/

sábado, outubro 17, 2009

NATÉRCIA DA CONCEIÇÃO - "Agora choro à vontade"

VÍDEO DE HOMENAGEM

É sempre com pesar que se sabe da partida dos que nos são caros... soube há pouco que Natércia da Conceição nos deixou, no passado dia 15, assim desaparecendo mais uma fadista da Escola do Fado Tradicional.

http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/tag/nat%C3%A9rcia+da+concei%C3%A7%C3%A3o

Tendo nascido em Vila Fraca de Xira, a 20 de Julho de 1934, aos 12 anos vai viver para Lisboa onde contacta com o meio fadista, ingressando nas "fileiras do fado" em 1953, tendo sido Berta Cardoso a colocar-lhe o xaile. Embora tenha uma carreira de sucesso, em 1970 vai viver para os Estados Unidos onde, com a fadista Valentina Felix, abre a primeira casa de fados; também nesse ano, participa, como locutora, na primeira estação de rádio portuguesa que, por iniciativa de Alberto Costa, abriu em New Bedford e, em 1980, ambos dão vida a uma outra estação, o Rádio Clube Português, em Providence, onde também faz locução. Da sua bem sucedida carreira artística, destaca-se a sua actução na Casa Branca, onde cantou para o Presidente Clinton. Durante estes 39 anos, Natércia da Conceição divulgou o Fado e, com ele, a Cultura Portuguesa por terras do Tio Sam. Obrigada, Natércia!

Este fado de que muito gosto, também na sua interpretação, tem letra do Dr. Guilherme Pereira da Rosa e música de Eugénio Pepe.

terça-feira, outubro 13, 2009

BERTA CARDOSO na Eradogramophone









O Canal de eradogramophone brindou-nos agora com este belíssimo vídeo de dois êxitos de BERTA CARDOSO - "A Enganada", da autoria de Silva Tavares e de Armando Freire e "Último Pedido" ou "Volta", como ficou mais conhecido, de Raul Pinto e de Frederico de Brito, ambos registos fonográficos em 78rpm.


Em 1933, Berta Cardoso é primeira página d' "A Guitarra de Portugal", onde se anuncia uma tournée da gloriosa cantadeira por terras de África e se publica, precisamente, a letra do fado "Volta" e de outro seu enorme êxito "Não Voltes"


quinta-feira, outubro 08, 2009

VITOR DUARTE - "Bairros de Lisboa"

VÍDEO DE HOMENAGEM

Oriundo de uma família fadista, como poderia ser outro o seu Destino, que não o Fado? Vitor Duarte, filho, neto e sobrinho de fadistas de 1ª água, é por todos nós conhecido, não só como biógrafo de seu avô, Alfredo Duarte "Marceneiro", e ainda de Hermínia Silva, mas também como o responsável do blog http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/, o que teve a ideia e tem vindo a lutar por colocar Lisboa no Guiness, como a cidade mais cantada do mundo. Mas Vitor Duarte também canta o fado, e, embora a sua vida profissional tenha "corrido ao lado", tem discos editados e canta, com certa regularidade, em casas de fado e vários espectáculos, ouvindo-se sempre com muito agrado, diga-se de passagem. Um dos fados que mais gosto de ouvir-lhe é este, com que o lembro e presto a merecida homenagem, um fado sobre Lisboa, com letra do notável poeta Carlos Conde e música do não menos insigne compositor Alfredo Duarte, "Bairros de Lisboa".

Para si, com um bjinho, Vitó

segunda-feira, outubro 05, 2009

VALÉRIA MENDEZ - "As mãos que trago"

Todos já terão ouvido falar de Valéria Mendez, fadista e amaliana dos quatro costados, desde 2003, editora do blogue http://www.fadista-valeria-mendez.weblog.com.pt/.
Creio, no entanto, que, dos muitos que a lêem, poucos a terão já ouvido cantar e que terão curiosidade e interesse em conhecer o seu "Fado da diferença"

















Valéria Mendez, profissionalizada como Artista de Variedades, desde 1983, gravou para a Rádio Triunfo e tem actuado nos mais diversos palcos do país e do estrangeiro. Da sua carreira artística, interrompida entre 1997/2002 e entre 2005/2009, destacam-se as grandes digressões pelo Médio Oriente e também pela Venezuela e Colômbia.
É de Cecília Meireles e de Alain Oulman a autoria deste fado, do repertório de Amália, aqui interpretado pela homenageada de hoje, Valéria Mendez

VÍDEO DE HOMENAGEM

sexta-feira, outubro 02, 2009

EXCELÊNCIA e FAMA




Recebi há pouco este curioso relato duma experiência comportamental, realizada pelo The Washington Post, sabe-se lá com que finalidade..., e que achei tanto mais interessante quanto o facto de, nestes últimos dias, dar comigo a congeminar, particularmente, acerca da Fama.

"Un hombre se sentó en una estación del metro en Washington y comenzó a tocar el violín, en una fría mañana de enero. Durante los siguientes 45 minutos, interpretó seis obras de Bach. Durante el mismo tiempo, se calcula que pasaron por esa estación algo más de mil personas, casi todas camino a sus trabajos. Transcurrieron tres minutos hasta que alguien se detuvo ante el músico. Un hombre de mediana edad alteró por un segundo su paso y advirtió que había una persona tocando música. Un minuto más tarde, el violinista recibió su primera donación: una mujer arrojó un dólar en la lata y continuó su marcha. Algunos minutos más tarde, alguien se apoyó contra la pared a escuchar, pero enseguida miró su reloj y retomó su camino. Quien más atención prestó fue un niño de 3 años. Su madre tiraba del brazo, apurada, pero el niño se plantó ante el músico. Cuando su madre logró arrancarlo del lugar, el niño continuó volteando su cabeza para mirar al artista. Esto se repitió con otros niños. Todos los padres, sin excepción, los forzaron a seguir la marcha. En los tres cuartos de hora que el músico tocó, sólo siete personas se detuvieron y otras veinte dieron dinero, sin interrumpir su camino. El violinista recaudó 32 dólares. Cuando terminó de tocar y se hizo silencio, nadie pareció advertirlo. No hubo aplausos, ni reconocimientos. Nadie lo sabía, pero ese violinista era Joshua Bell, uno de los mejores músicos del mundo, tocando las obras más complejas que se escribieron alguna vez, en un violín tasado en 3.5 millones de dólares. Dos días antes de su actuación en el metro, Bell colmó un teatro en Boston, con localidades que promediaban los 100 dólares.
Esta es una historia real. La actuación de Joshua Bell de incógnito en el metro fue organizada por el diario The Washington Post como parte de un experimento social sobre la percepción, el gusto y las prioridades de las personas. La consigna era: en un ambiente banal y a una hora inconveniente, ¿percibimos la belleza? ¿Nos detenemos a apreciarla? ¿Reconocemos el talento en un contexto inesperado?... ¿qué otras cosas nos estaremos perdiendo?..Estamos dejando de vivir los verdaderos momentos hermosos que la vida nos depara...?"

Interessante, esclarecedor, resultado absolutamente expectável, não?!... Mas, mesmo assim...

De facto, como tudo o resto, a Fama é relativa; relativa quanto à quantidade, isto é, por mais famoso que alguém seja, é improvável que "todo o mundo" o conheça, como parece provar-se nesta experiência; e igualmente relativa quanto à qualidade, ou seja, nem todos os que alcançam a Fama são Excelentes, tal como disse A. Oxenstiern "A fama dista muito de ser sempre a garantia segura do merecimento", bem como nem todos os Excelentes se tornam Famosos, ou, porque acabam por perfilhar a ideia de Agostinho da Silva "Se alguma vez te tornares conhecido, arrepende-te e volta à obscuridade; nela serás irmão dos melhores", ou, porque mesmo preferindo os caminhos da glória, não teve a oportunidade, já que, como diz Unamuno, "O céu da fama não é muito grande e, quantos mais nele entrarem, menos fica para cada um deles", nem lhe foi dada visibilidade e nem protagonismo, o que ocasiona, como muito bem referiu Diderot, que "Há quem morra desconhecido por não ter tido um teatro diferente"...
Em suma, ser excelente não significa ser famoso e tornar-se famoso é uma questão de oportunidade, espaço, conveniência, opção...
Tenho sempre uma enorme necessidade de fazer estas reflexões, nomeadamente quando aterro neste mundo do Fado onde o céu da Fama é por demais minúsculo, e onde, mesmo assim, nem sempre lá se encontra apenas quem merece...
É claro que os famosos não devem unicamente à excelência, quando a têm, a fama que alcançam; é claro que estas experiências, como a que aqui se ilustra, já se fazem há longo tempo e não são inocentes e nem inócuas... Como o não são todas essas outras que se levaram a cabo por outros canais de Informação, fazendo-as passar por puro espectáculo. É evidente que, mais do que os clássicos políticos, quem hoje verdadeiramente manda é quem manda na Informação; esse é o Poder; o Poder de intervir nos gostos e escolhas de quase todos nós, o que, parecendo que não, acaba por ser muito mais asfixiante, redutor, normativo e perigoso do que qualquer outra Força já existente, do que qualquer outra forma de colonização/clonagem. Esta coisa da Informação é efectivamente o doce envenenado que, com uma capa de democratização, mais não pretende do que a instituição da conveniente Ignorância com capa da bastante Sabedoria, o equilíbrio que sustenta a conformação das hordas e da turba. Provavelmente, a experiência em curso teria mais a ver com a análise da Ignorância e a procura de novos métodos que possibilitem cada vez mais e melhor o alheamento das massas, nomeadamente da Cultura, e a sua devoção pelo acessório, em desprezo do essencial, pelo Ter, em vez do Ser...
A meu ver, esta coisa da Fama é sempre de desconfiar; é que, se prestarmos atenção, mesmo os mais excelentes só ganham esse pedaço de "céu" se o Poder permitir, se O favorecerem... sim!, bem podem ser os melhores, mas se forem incómodos, são imediatamente abafados e metidos no bolso do Incógnito, como berlinde de colecção, que justifica e aumenta o poderio; quanto aos outros famosos, que são a maior parte, vivem apenas de favores e alimentam com favores o Poder que os favorece e, enquanto se mantiverem assim, a engrenagem não os rejeita... agora, se por um qualquer ataque de lucidez ou esperteza súbita O afrontam, então são absolutamente trucidados e nem o nome se lhes aproveita!...
Isto sou eu a falar, para muito poucos e, mesmo assim, improváveis leitores! Quer dizer, sou eu em monólogo, quase absoluto, aqui e ali salpicado de um diálogo empolgante com um ou outro benemérito leitor deste blogue, cujo poderio ( e esta fica aqui só entre nós) suplanta de longe o dessa gente da Informação, primeiro porque só os excelentes continuam a acompanhar este blogue e, segundo, porque a mim me basta o reconhecimento de excelente de um igual para me sentir no Passeio dos Famosos!...
E digo eu "-Que final mais imprevisto para este artigo de opinião"! Sinceramente que o não esperava dela, diacho!...
E finalmente, já sem complexos de coisa alguma, diga(m)-me lá se consegue(m) identificar todos os Excelentes acima representados... Eu, sem cábula, por certo não o conseguiria...
Como dizia o outro, não sem uma certa razão, "A vida, Costa!..."
Ah, pois, as autár..., mas isso não vem ao caso. Desculpem, sim?!