domingo, julho 05, 2009

CARLOS DUARTE - "Teu vestido azul"



Filho de Alfredo Duarte, "Marceneiro" e irmão de Alfredo Duarte Jr., Carlos Duarte (1921 - 1966) é, dos Marceneiro, provavelmente, o menos conhecido do grande público, tanto mais que
cantou o Fado apenas como amador.
Era frequentador assíduo dos retiros de fado, onde era muito considerado, sendo unânime a opinião, de todos quantos o escutavam, de que era um grande intérprete do Fado. São de sua autoria algumas letras de fados que interpretou; porém, a do fado, com que hoje o lembro, é da autoria de Henrique Rego, uma letra muito interessante, com um certo gosto e codificação petrarquistas, interpretada no Fado Mª Marques, da autoria de seu pai, Alfredo Duarte Marceneiro.
Vídeo de Homenagem

quarta-feira, junho 24, 2009

EXPOSIÇÃO " EU SOU FERNANDA BAPTISTA..."

EXPOSIÇÃO - ÚLTIMOS DIAS

“EU SOU FERNANDA BAPTISTA,NASCI PARA O FADO
E PARA A REVISTA”

DESDE O PASSADO DIA 25 DE MAIO DE 2009 PATENTE AO PÚBLICO NA JUNTA DE FREGUESIA DE SANTOS-O VELHO, CHEGA AO FIM NO PRÓXIMO DIA 28 DE JUNHO A EXPOSIÇÃO DE HOMENAGEM À MAIOR VOZ DO TEATRO DE REVISTA .
FERNANDA BAPTISTA NASCEU EM LISBOA A 7 DE MAIO DE 1919 E FALECEU EM CASCAIS A 24 DE JULHO DE 2008,TEVE UMA CARREIRA DE 65 ANOS PREENCHIDA DE GRANDES SUCESSOS
NO TEATRO DE REVISTA COMO FADISTA E ACTRIZ, MAS TAMBÉM NA COMÉDIA E EM OPERETA
DO SEU VASTO CURRICULUM CONSTAM 48 REVISTAS,2 COMÉDIAS ,2 OPERETAS E UM FILME.
MIGUEL VILLA DECIDIU RELEMBRAR A FADISTA E AMIGA NUMA EXPOSIÇÃO ONDE SE RECORDAM ESTES 65 ANOS DE CARREIRA E 90 DE IDADE ,TRAZENDO A PÚBLICO ALGUNS DOS SEUS MAIS BONITOS VESTIDOS DE CENA BEM COMO CARTAZES DE ESPECTÁCULOS ONDE PARTICIPOU, FOTOGRAFIAS DE CARTAZ E DE CENA, SAPATOS, BRINCOS, GARGANTILHAS, PARTITURAS, MANUSCRITOS, CARICATURAS, ENTRE OUTROS OBJECTOS QUE NOS RECORDAM A FADISTA.
A JUNTA DE FREGUESIA DE SANTOS–O–VELHO ABRAÇOU DESDE LOGO ESTA EXPOSIÇÃO ESTANDO, ASSIM, JUNTAMENTE COM MIGUEL VILLA E NO BAIRRO DA MADRAGOA A HOMENAGEAR AQUELA QUE FOI MADRINHA, DURANTE ANOS, DA MARCHA DO BAIRRO
E ONDE O SEU NOME AINDA HOJE PERMANECE COMO MADRINHA HONORÁRIA.
ESTA EXPOSIÇAO PODERÁ SER VISTA NA JUNTA DE FREGUESIA DE SANTOS-O-VELHO, DIARIAMENTE, ENTRE AS 14 E AS 19H ATÉ AO PRÓXIMO DIA 28 DE JUNHO.
DIA 28 ENCERRARÁ EM GRANDE COM A APRESENTAÇAO DE UM ESPECTÁCULO DE VARIEDADES ONDE IRÃO ESTAR PRESENTES A FADISTA MARIA AMÉLIA PROENÇA, ANITA GUERREIRO, ADA DE CASTRO E CAROLINA TAVARES PARA NOS RECORDAR ALGUNS DOS SUCESSOS DE FERNANDA BAPTISTA, A GRANDE MARCHA DA MADRAGOA(DE QUE FERNANDA BAPTISTA É MADRINHA HONORÁRIA), O GRUPO “ARTISTAS PRÓ PALCO”, QUE IRÃO FAZER UM EXCERTO DO ESPECTÁCULO QUE TÊM EM DIGRESSÃO E ONDE HOMENAGEIAM A FADISTA E AINDA UM COLÓQUIO ONDE O PÚBLICO IRÁ FAZER PERGUNTAS SOBRE A CARREIRA DA CITADA FADISTA E AS MESMAS IRÃO SER RESPONDIDAS POR MIGUEL VILLA.
ASSIM, VENHO POR ESTE MEIO E MAIS UMA VEZ CONTAR COM A VOSSA COLABORAÇAO E DIVULGAÇAO DAS INICIATIVAS DE ENCERRAMENTO DA EXPOSIÇÃO “EU SOU FERNANDA BAPTISTA, NASCI PARA O FADO E PARA A REVISTA”
E CONVIDO-VOS, DESDE JÁ, A ESTAREM PRESENTES NO ENCERRAMENTO QUE TERÁ INICIO ÀS 16H NA JUNTA DE FREGUESIA DE SANTOS-O-VELHO, NA RUA DA ESPERANÇA, 49, À MADRAGOA
PARA MAIS INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS CONTACTE:
MIGUEL VILLA
TLMS: 91 727 15 11/964 972 994
OU POR MAIL :miguelvilla@iol.pt
atentamente
Miguel Villa

ESTA EXPOSIÇÃO CONTA COM O APOIO DE:
TEATRO POLITEAMA/FILIPE LÁ FERIA TEATRO MARIA VITÓRIA/HELDER FREIRE COSTA
JUNTA DE FREGUESIA DE SANTOS O VELHO M.ROLO-EMPRESA DE MANEQUINS
GIVETGIFE/PEDRO ALMEIDA CARLOS CASTRO SUSANA ROGEIR
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VÍDEO DE HOMENAGEM

sábado, junho 20, 2009

"ROSA ENJEITADA" e o "Fado Aristocrático"



(Doc. "Berta Cardoso na Revista")

Como já referi no post anterior, o fado "Rosa enjeitada" foi estreado no teatro de revista, tendo aí tido como intérpretes duas das mais representativas cantadeiras-actrizes do séc. XX - Hermínia Silva e Berta Cardoso. Este documento, que aqui se reproduz, corresponde à fala cantada pela Rosa Engeitada (letra do fado), papel desempenhado por Berta Cardoso.
A letra deste fado resume, digamos assim, a trama que enforma o melodrama (1901), da autoria de D. João da Câmara, cujo nome é o da personagem principal, a Rosa Engeitada; e, afinal, quem era essa Rosa engeitada? uma rameira, que vive com Francisco (o homem de quem gosta e que sustenta) e que pensa mudar de vida, mas não consegue, não tem coragem... até que um dia, conhece um outro rapaz, o João - trabalhador, simples, honesto -, em tudo a antítese do Francisco, nascendo desse encontro o amor verdadeiro que faz renascer na meretriz a esperança de uma nova vida...
É, como se vê, uma história actualíssima, melhor, de todos os tempos... um drama vivencial cujas implicações sociais não têm hoje, digo eu, a carga reprobatória e de indesculpabilidade que tinham então, mesmo já em finais da primeira metade do século XX, altura em que Maria Teresa de Noronha se deixou enCANTAR por este fado, da autoria de José Galhardo e de Raúl Ferrão, enCANTAmento bem patente na sua magnífica interpretação, recordada neste vídeo.
Já agora, a talho de foice, presta-se perguntar: é este o fado que os especialistas designam por "fado aristocrático"?!...
Esta é uma etiqueta com que sempre embirrei porque não alcanço qualquer bom motivo para que se empregue. Vejamos. À semelhança do designado "Fado Marialva", onde cabem todos os fados com determinada temática, o "Fado Aristocrático" deveria designar e englobar os fados que obedecessem a uma certa temática, por certo relacionada com a aristocracia, ou forma de poema ou qualquer música associada, mas isso não se verifica efectivamente... Assim, essa designação apenas indicará, por certo, o estatuto aristocrático de alguns intérpretes do Fado, e, nesta perspectiva, parece-me absolutamente desadequada, melhor, incorrecta, porque, em boa verdade, não é o fado que passa a ser aristocrático, mas sim os aristocratas que passam a ser fadistas... E, embora eu não consiga descortinar a mais valia de colocar numa mesma gaveta os aristocratas que enfileiraram pela carreira de fadistas e etiquetá-los, o que desde logo se me afigura até uma forma de discriminação, se bem que positiva, entendo que a designação mais correcta seria, então, a de "Fadistas Aristocráticos", pois é disso que se trata, e nunca "Fado Aristocrático" que, até prova em contrário, não existe.
O Fado é do Povo e, por isso, não é aristocrático, mesmo que cantado por um fidalgo, acompanhado ao piano, no salão do seu palacete...
Mas, não sendo aristocrático, o Fado é nobre, tão nobre quanto o Povo que canta e que o canta, aristocratas incluídos...
Porque o Fado é a expressão da Alma de um Povo que na História é reconhecido pela sua nobreza de carácter! Esta é a verdadeira nobreza e a mais valia do Fado.
VÍDEO DE HOMENAGEM

domingo, junho 14, 2009

FIDALGOS POETAS E FADISTAS




























Andava eu a tentar pôr uma certa ordem na papelada, cairam-me os olhos neste artigo, datado de 1908, de Júlio Dantas, que é, de facto, uma página de História, documento que eu tinha seleccionado para, em tempo, divulgar... Nem de propósito (nada é por acaso), contacta-me o amigo Antón, do blog http://fadous.blogspot.com/, pretendendo informações acerca do poeta de fado D. António de Bragança, autor, entre outras, da letra do "Fado das Horas"...

Respondi-lhe muito atabalhoadamente, dando-lhe informação do pouco que sabia e pensei então que seria tempo de melhor me informar e publicar esta página, pretexto para recordar alguns Fidalgos, da melhor linhagem Portuguesa, cujo contributo tem enobrecido e enriquecido a família fadista.

Este artigo de Júlio Dantas evoca, nem mais nem menos, a figura do eminente dramaturgo e poeta Dom João Maria Evangelista Gonçalves Zarco da Camara (1852 - 1908), autor da peça "Rosa Engeitada", donde se extraiu a opereta popular com o mesmo nome e um dos mais emblemáticos fados, superiormente interpretado por Hermínia Silva, Berta Cardoso, Fernanda Maria e Maria Teresa de Noronha, que o celebrizou; de uma simplicidade e afabilidade notáveis, D. Maria Teresa do Carmo de Noronha, bisneta do 2º Conde de Paraty, dedicou a sua vida (1918 - 1993) ao fado, tendo mesmo casado com o distinto compositor e guitarrista amador José António Barbosa de Guimarães Serôdio, filho do 2º Conde de Sabrosa; era, podemos dizer, um nobre casal fadista! Igualmente descendente de Dom João da Camara e sobrinho de D. Maria Teresa de Noronha, é o consagrado fadista Vicente da Câmara (1928), D. Vicente Maria do Carmo de Noronha da Camara, filho de D. João Luís de Seabra da Camara (1905) e pai do também fadista José da Camara (1967), D. José do Carmo de Ataíde da Camara.
Finalmente, o poeta de fado D. António José Manuel de Bragança (1895 - 1964), autor, entre outros, do célebre Fado das Horas, pai de D. Segismundo Caetano da Camara de Bragança(1925), violista amador de reconhecido mérito, primo de Vicente da Câmara e sobrinho de uma das mais emblemáticas figuras da boémia lisboeta do passado século, frequentador assíduo de casas de fado, particularmente da Adega Mesquita, de cujo dono era muito amigo - refiro-me, claro está, a D. Pedro João Libânio Manuel de Bragança (1885 - 1972).
Destes diria eu, parafraseando Júlio Dantas, que não tiveram "de inventar um brazão como Garrett" e nem o tiveram também que inventar dois outros nobres fadistas que não poderia deixar de aqui lembrar - Frei D. Hermano Vasco Villar Cabral da Câmara (1934) e Nuno Maria de Figueiredo Cabral da Camara Pereira (1951).
Todos descendentes de D. Afonso Henriques, de resto como o era também a grande actriz IVONE SILVA, de sua graça Maria Ivone da Silva Nunes (1935 - 1987)...
Com todos estes dignos cultivadores e amantes de fado, comprovados representantes da mais nobre linhagem portuguesa, digam lá que o fado era apenas canção de rameiras e rufias!...
E se o era, lá teria os seus encantos para rapidamente o deixar de ser. De facto, parece-me que o célebre par da fadista Severa e do Conde de Vimioso é, para além dessa história, o ícone dessa sistemática e apaixonada transgressão que sempre uniu as mais nobres às mais populares casas portuguesas, proporcionando uma apetecida e saudável renovação genética, que, de tão proveitosa, levou à ratificação dessa fantástica e nobre instituição que é a bastardia!...
Ligação: Acerca deste assunto pode ler, em inglês, o artigo mais específico sobre Dom António de Bragança, the Author of the “Fado das Horas” , por Anton Garcia-Fernandez.

sexta-feira, maio 29, 2009

BERTA CARDOSO - "Testamento"

Em 2006, no Museu do Fado, esteve patente uma exposição sobre BERTA CARDOSO, uma das mais importantes personalidades da História do Fado do séc. XX.

A exposição foi um sucesso, tendo sido primorosamente organizada, como pode constatar-se pelas fotos que integram o vídeo.

Não será demais agradecer, ainda uma vez, a dedicação e empenho de todos que colaboraram neste projecto, nomeadamente à responsável pelo Museu do Fado. Bem Haja!

O fado - "Testamento", que Berta Cardoso interpreta, é da autoria de João Redondo.

sábado, julho 19, 2008

COM'PAÇO











Sob um sol escaldante, em pleno Terreiro do Paço, onde as sombras não abundam, 4 estóicas Bandas - a do Ateneu Artístico Vilafranquense, a dos Empregados da Carris, a da Sociedade Filarmónica União e Capricho Olivalense e a da Aculma-Marvila -, tocavam, estorricando...




... sem espaço próprio, com'gente por todos os lados...

Seguidamente, os Concertos realizaram-se em local coberto para as Bandas, mas o público, coitado, é que teria que estar sentado ao sol... mas não esteve... as cadeiras estavam vazias, excepto as que recebiam alguma sombra de uns chapéus plantados em linha...



Esta ideia do Festival de Bandas de Lisboa é óptima, mas a organização, meu Deus!



Com este calor, porque não aproveitar o coreto do Jardim da Estrela e a sombra aprazível das suas árvores centenárias?




















Aqui fica a sugestão, caros organizadores!

sábado, junho 21, 2008

PARA OS CRAVOS DE PAPEL

Da mulher mansa e calada
Não deixes de ter suspeitas.
A água, quando parada,
É que provoca as maleitas.
Augusto Gil


«Quem ama tudo perdoa»?
Deixa lá dizer quem diz!
Da chaga que nos magoa
Fica sempre a cicatriz.
Virgínia Mota de Aguiar


Com quatro letras apenas
A palavra amor se escreve.
-Como cabe tanta coisa
Numa palavra tão breve!...
João da Mata

sexta-feira, junho 20, 2008

O Foot-ball




















Uma crónica de Júlio Dantas, datada de 1914.
No essencial, pouco parece ter mudado... o culto do músculo, a obsessão pelo foot-ball, a sempre explicável superioridade dos adversários ... O que terá mudado substancialmente é a inexplicável
cotação dos jogadores, os ordenados fabulosos que auferem, o que não só constitui uma afronta à pobreza, mas também à inteligência de todos nós...

sexta-feira, junho 13, 2008

O FADO em PARIS












Já em 1914, data desta notícia, o "Fado" se ouvia e dançava em Paris; um sucesso que o público parisiense assinalava, aplaudindo entusiasticamente e obrigando a orquestra do Dancing Palace a bisar essa composição.
(Para ler a notícia, clicar no texto)

quarta-feira, junho 11, 2008

FADO MACAU


















Ora bem, aqui temos o autor do Fado Macau!
Investigando, a gente/agente encontra, não é?
Vem este "recado" e cartão vermelho a propósito de ter eu encontrado, em dois livros de referência, uma indicação de autoria que, desde logo, me pareceu suspeita- num, era referido como autor Adriano Baptista(?) ou Jaime Santos, no outro, Adriano Roiz Baptista... Não andaram longe, não, mas as imprecisões são inaceitáveis e sempre de palmatória em "livros de referência" e denotam uma imensa falta de respeito pelos leitores... até mesmo porque são erros que, geralmente, se eternizam no tempo e ganham foro de verdade, impedindo depois, por vezes, a reposição da verdade verdadeira...

domingo, junho 08, 2008

VANDALISMOS






TRISTEZA, não é?
Isto não são graffitis, não é arte urbana, é puro vandalismo sobre bens públicos e privados, cometido por MARGINAIS e tolerado por uma sociedade imbecilizada, defensora da teoria dos "no frustated babies"...

Até quando vamos tolerar isto?

quarta-feira, junho 04, 2008

PARE - ESCUTE - OLHE...




















Parei a ler esse "aviso à navegação", escrito por um qualquer poeta anónimo, que se encontra inscrito num tapume das persistentes obras do Metro do Terreiro do Paço. É importante a mensagem:
A Fome

"Quando um ser não come
A fome consome
Tudo em si corrói
E dói
Mata lentamente
Nenhum prazer sente
E transforma-se lentamente
Num animal irracional
Que não consegue distinguir
O bem do mal"

Pois é! Parece que alguns já terão atingido esse perigoso estado de irracionalidade...
Olhando para o lado de lá da rua, em plena Praça do Comércio, a sala de visitas de Lisboa, avistei esse montículo que me pareceu, à primeira vista, alguma bagagem esquecida... Olhando melhor, apercebi-me que era, afinal, mais um dos vários sem-abrigo que habitam o local, ali, junto aos ministérios... ali abandonado, no chão, como lixo... testemunho da indiferença de todos nós.
Que vergonha! Que dor! Que revolta!

terça-feira, maio 27, 2008